Carta para ti
Não te escrevo diretamente na plataforma de mensagens porque quero tornar estas palavras “permanentes”. Quero que, ao fim de muitos meses, anos, elas permaneçam aqui, para ti, para mim, para todos e para ninguém...
Quero começar por dizer que é contigo que começo e é contigo que acabo porque... é contigo que acordo e é contigo que adormeço. Sei que não é isso que desejas, mas não podes mandar no meu coração (nem eu) nem eu posso mandar no teu desejo.
O caminho mais fácil seria fugir, mas a minha mente tende a apagar o que é menos bom em ti e a registar, a sublinhar, a sublimar até o que é bom... menos mau... desafiante... provocante...
Lembro cada frase que me disseste e cada traço do teu rosto. Sei de cor o sabor do teu beijo e a intenção dos teus olhos. Dizem que os olhos são o “espelho da alma” e nos teus eu não encontrei desafio nem sedução. Encontrei curiosidade, procura...
Dizes que não queres iludir nem iludir-te e eu tenho algumas coisas a dizer sobre isso. Sentimento não é ilusão: é realidade. Ilusão é pensar que prazer não traz sentimento ou que sentimento não causa prazer. Quando me dizes: “sentes as borboletas no estômago”... Isso é paixão, é desejo e dá muito prazer.
Ainda sobre a ilusão... Ilusão é pensar que não há paixão. Ilusão é não perceber que essa paixão é eterna enquanto dura (pode durar minutos, horas, anos...). Quando acaba, o prazer transforma-se em dor para a parte que mais amou. Contudo, quem amou mais também foi mais feliz e usufruiu de mais prazer.
Agora resta saber quem tem mais medo da vida: és tu ou eu?
PB
agosto 2019
