Quando
Quando as lágrimas correm
Sem razão, sem rumo
Pelos trilhos da minh”alma
Na solidão da minha casa vazia...
Pergunto-me: porquê?
Porque comecei triste.
Porque comecei a crescer
Já pequena, já inútil, não bonita.
Nada disto é o agora.
Isto é apenas o estuário de um corgo que, por erro, brotou há 5 décadas.
Esta é apenas a corrente e o remoinho de que tentei sair.
Eu nunca fui suficiente,
nunca harmoniosa, nunca plena,
nunca bela, nunca algo, sempre aquém.
Por isso eu nunca tive naturalmente.
Eu tive o batalhado, o chorado, o suado.
Eu tive o não desistido.
É por isso que hoje dou sem me pedirem.
É por isso que hoje não me consolo com migalhas.
É por isso que choro, mas não aceito menos que um lugar ao sol no coração do outro.
PB dezembro 2019
