Quando
Quando as lágrimas correm
Sem razão, sem rumo
Pelos trilhos da minh”alma
Na solidão da minha casa vazia...
Pergunto-me: porquê?
Porque comecei triste.
Porque comecei a crescer
Já pequena, já inútil, não bonita.
Nada disto é o agora.
Isto é apenas o estuário de um corgo que, por erro, brotou há 5 décadas.
Esta é apenas a corrente e o remoinho de que tentei sair.
Eu nunca fui suficiente,
nunca harmoniosa, nunca plena,
nunca bela, nunca algo, sempre aquém.
Por isso eu nunca tive naturalmente.
Eu tive o batalhado, o chorado, o suado.
Eu tive o não desistido.
É por isso que hoje dou sem me pedirem.
É por isso que hoje não me consolo com migalhas.
É por isso que choro, mas não aceito menos que um lugar ao sol no coração do outro.
PB dezembro 2019
domingo, 8 de dezembro de 2019
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
Mar
Dei voltas e voltas...
Lá longe, pelo mar longínquo.
Para lá do horizonte.
Procurei...
Remei...
Levei Deus comigo e Deus comigo andou.
Sempre...
Afundei e emergi várias vezes.
Agora voltei à mesma enseada de onde parti.
Não encontrei par e estou cansada.
Não quero mais!
Não tenho mais força!
Não me doutrinem, nem me consolem...
Por favor... o salitre imenso da solidão cristaliza as minhas veias...
Não quero ouvir!
Se a maré encher, deixem apenas que me dissolva no infinito do mar.
nov 2019
PB
Dei voltas e voltas...
Para lá do horizonte.
Procurei...
Remei...
Levei Deus comigo e Deus comigo andou.
Sempre...
Afundei e emergi várias vezes.
Agora voltei à mesma enseada de onde parti.
Não encontrei par e estou cansada.
Não quero mais!
Não tenho mais força!
Não me doutrinem, nem me consolem...
Por favor... o salitre imenso da solidão cristaliza as minhas veias...
Não quero ouvir!
Se a maré encher, deixem apenas que me dissolva no infinito do mar.
nov 2019
PB
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
A mentira é irmã do descuido
Neste mundo dos relacionamentos
Não adianta deixar entrar a mentira
Quando ela entra, abre a porta ao descuido.
A experiência diz-me que quem mente seriamente
Aos que seriamente os criaram ou por eles foram criados
Porque não hão-de mentir aos que só agora chegaram
Às suas vidas já pejadas de teias e contra teias?
Todos mentimos. Todos precisamos mentir aqui ou ali.
Mas desconfio dos que mentem assertivamente, despudoradamente...
Aos que amam e na frente de todos, nomeadamente dos que dizem amar...
“Nas nossas costas...”
E é assim que se conclui que a mentira “ tem pernas curtas”.
E é assim que me recuso a saber, para minha sanidade mental,
O tamanho das pernas das tuas mentiras...
18 novembro 2019
Neste mundo dos relacionamentos
Não adianta deixar entrar a mentira
Quando ela entra, abre a porta ao descuido.
A experiência diz-me que quem mente seriamente
Aos que seriamente os criaram ou por eles foram criados
Porque não hão-de mentir aos que só agora chegaram
Às suas vidas já pejadas de teias e contra teias?
Todos mentimos. Todos precisamos mentir aqui ou ali.
Mas desconfio dos que mentem assertivamente, despudoradamente...
Aos que amam e na frente de todos, nomeadamente dos que dizem amar...
“Nas nossas costas...”
E é assim que se conclui que a mentira “ tem pernas curtas”.
E é assim que me recuso a saber, para minha sanidade mental,
O tamanho das pernas das tuas mentiras...
18 novembro 2019
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Dei tudo
Dei tudo e não devia
Quis mostrar interesse,
Construir um relacionamento
Fomentar a paixão, o respeito,
Afranqueza e, mais importante que tudo,
O caminho para a confiança, a proteção mútua:
O amor..,
Falamos os dois a mesma língua, dizias tu...
Sim. Mas não sobre as mesmas coisas.
Certo é que já dei tudo. Adaptei-me e tentei compreender.
Mas não passo de um botão no bolso do casaco.
Dei tudo e não devia
Quis mostrar interesse,
Construir um relacionamento
Fomentar a paixão, o respeito,
Afranqueza e, mais importante que tudo,
O caminho para a confiança, a proteção mútua:
O amor..,
Falamos os dois a mesma língua, dizias tu...
Sim. Mas não sobre as mesmas coisas.
Certo é que já dei tudo. Adaptei-me e tentei compreender.
Mas não passo de um botão no bolso do casaco.
Novembro 2019
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
A feira da Paiva Couceiro
Hoje, ao olhar o céu nublado, ao sentir o frio de novembro, recuei umas boas quatro décadas.
Vive-se o tempo das feiras de Natal, das montras e ruas iluminadas, do consumismo desenfreado. Como bem refere Maria João Pica (sempre, em cada Natal) poucos estão focados no nascimento de Cristo, na família, na solidariedade, no amor... Todos correm, cada vez mais cedo, para as compras, os enfeites, os brilhos e os artifícios. Muito Pai Natal, menos Menino Jesus...
Mas hoje, como dizia, lembrei uma feira de natal na Praça Paiva Couceiro. Era o caos, o bricabraque, a desarrumação. Lá estavam as bonecas lindas... tão lindas... vendidas pelos feirantes humildes. As bonecas que faziam brilhar os meus olhos e que a carteira (ainda mais humilde e muitas vezes vazia) da minha mãe não me podia comprar. .. Mas eu passava, dia após dia, num casaco quentinho, num gorro quentinho, numa luva quentinha (que isso nunca me faltou) para namorar as bonecas de olhos castanhos e cabelos pretos, brilhantes, que não podia ter...
Recordações dos tempos em que o Menino Jesus, por vezes, nos fazia uma grande surpresa na manhã do dia de Natal e nós ficávamos tão gratos por ele se ter lembrado de nós.
Paula Baptista
nov 2019
Hoje, ao olhar o céu nublado, ao sentir o frio de novembro, recuei umas boas quatro décadas.
Vive-se o tempo das feiras de Natal, das montras e ruas iluminadas, do consumismo desenfreado. Como bem refere Maria João Pica (sempre, em cada Natal) poucos estão focados no nascimento de Cristo, na família, na solidariedade, no amor... Todos correm, cada vez mais cedo, para as compras, os enfeites, os brilhos e os artifícios. Muito Pai Natal, menos Menino Jesus...
Mas hoje, como dizia, lembrei uma feira de natal na Praça Paiva Couceiro. Era o caos, o bricabraque, a desarrumação. Lá estavam as bonecas lindas... tão lindas... vendidas pelos feirantes humildes. As bonecas que faziam brilhar os meus olhos e que a carteira (ainda mais humilde e muitas vezes vazia) da minha mãe não me podia comprar. .. Mas eu passava, dia após dia, num casaco quentinho, num gorro quentinho, numa luva quentinha (que isso nunca me faltou) para namorar as bonecas de olhos castanhos e cabelos pretos, brilhantes, que não podia ter...
Recordações dos tempos em que o Menino Jesus, por vezes, nos fazia uma grande surpresa na manhã do dia de Natal e nós ficávamos tão gratos por ele se ter lembrado de nós.
Paula Baptista
nov 2019
terça-feira, 5 de novembro de 2019
As lágrimas são traiçoeiras como as chuvas de outono.
Irrompem livremente e enchem um rio de emoções retidas, esmagadas...
E não há como escoa-las sem que tudo fique inundado de dor, de realidade, de abismo...
As lágrimas... vale a pena partilhá-las? Só com quem guarde bem o segredo da enxurrada.
Só com o espaço em branco da escrita... que não age, que não lamenta e não faz queixa a ninguém...
As lágrimas... as minhas lágrimas que vão em rio com afluentes potentissimos...
Até Praga
Até à Baixa
Até ao Algarve
Até ao Brasil
Até ao Céu.
Sendo que o último é o que está mais perto.
PB
novembro 2019
Irrompem livremente e enchem um rio de emoções retidas, esmagadas...
E não há como escoa-las sem que tudo fique inundado de dor, de realidade, de abismo...
As lágrimas... vale a pena partilhá-las? Só com quem guarde bem o segredo da enxurrada.
Só com o espaço em branco da escrita... que não age, que não lamenta e não faz queixa a ninguém...
As lágrimas... as minhas lágrimas que vão em rio com afluentes potentissimos...
Até Praga
Até à Baixa
Até ao Algarve
Até ao Brasil
Até ao Céu.
Sendo que o último é o que está mais perto.
PB
novembro 2019
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
O arame
O dia amanheceu escuro
Como se de noite se tratasse
Como se a noite não quisesse acabar
Como se quisesse voltar atrás
Não há palavras recriminatórias
Que me recuem as horas e os sentimentos
Apenas tenho a certeza
Apenas tenho a visão do arame
Que percorri e que agora...
Nesta manhã...
Está lá no alto
Perigosamente...
A vários metros de mim
Do chão firme e duro.
Quando não estamos na vida de alguém
Vai notar-se num grande ou num pequeno momento
Numa crise ou num mar de rosas
Simplesmente, verdadeiramente, não estamos!
Mas tens razão, meu amor...
A dor tolda as águas.
Por vezes turva-as
Por vezes fá-las correr tao rápido...
Que tudo fica limpo e se vê o fundo.
Lisboa, 25 setembro 2019
O dia amanheceu escuro
Como se de noite se tratasse
Como se a noite não quisesse acabar
Como se quisesse voltar atrás
Não há palavras recriminatórias
Que me recuem as horas e os sentimentos
Apenas tenho a certeza
Apenas tenho a visão do arame
Que percorri e que agora...
Nesta manhã...
Está lá no alto
Perigosamente...
A vários metros de mim
Do chão firme e duro.
Quando não estamos na vida de alguém
Vai notar-se num grande ou num pequeno momento
Numa crise ou num mar de rosas
Simplesmente, verdadeiramente, não estamos!
Mas tens razão, meu amor...
A dor tolda as águas.
Por vezes turva-as
Por vezes fá-las correr tao rápido...
Que tudo fica limpo e se vê o fundo.
Lisboa, 25 setembro 2019
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Carta para ti
Não te escrevo diretamente na plataforma de mensagens porque quero tornar estas palavras “permanentes”. Quero que, ao fim de muitos meses, anos, elas permaneçam aqui, para ti, para mim, para todos e para ninguém...
Quero começar por dizer que é contigo que começo e é contigo que acabo porque... é contigo que acordo e é contigo que adormeço. Sei que não é isso que desejas, mas não podes mandar no meu coração (nem eu) nem eu posso mandar no teu desejo.
O caminho mais fácil seria fugir, mas a minha mente tende a apagar o que é menos bom em ti e a registar, a sublinhar, a sublimar até o que é bom... menos mau... desafiante... provocante...
Lembro cada frase que me disseste e cada traço do teu rosto. Sei de cor o sabor do teu beijo e a intenção dos teus olhos. Dizem que os olhos são o “espelho da alma” e nos teus eu não encontrei desafio nem sedução. Encontrei curiosidade, procura...
Dizes que não queres iludir nem iludir-te e eu tenho algumas coisas a dizer sobre isso. Sentimento não é ilusão: é realidade. Ilusão é pensar que prazer não traz sentimento ou que sentimento não causa prazer. Quando me dizes: “sentes as borboletas no estômago”... Isso é paixão, é desejo e dá muito prazer.
Ainda sobre a ilusão... Ilusão é pensar que não há paixão. Ilusão é não perceber que essa paixão é eterna enquanto dura (pode durar minutos, horas, anos...). Quando acaba, o prazer transforma-se em dor para a parte que mais amou. Contudo, quem amou mais também foi mais feliz e usufruiu de mais prazer.
Agora resta saber quem tem mais medo da vida: és tu ou eu?
PB
agosto 2019
Não te escrevo diretamente na plataforma de mensagens porque quero tornar estas palavras “permanentes”. Quero que, ao fim de muitos meses, anos, elas permaneçam aqui, para ti, para mim, para todos e para ninguém...
Quero começar por dizer que é contigo que começo e é contigo que acabo porque... é contigo que acordo e é contigo que adormeço. Sei que não é isso que desejas, mas não podes mandar no meu coração (nem eu) nem eu posso mandar no teu desejo.
O caminho mais fácil seria fugir, mas a minha mente tende a apagar o que é menos bom em ti e a registar, a sublinhar, a sublimar até o que é bom... menos mau... desafiante... provocante...
Lembro cada frase que me disseste e cada traço do teu rosto. Sei de cor o sabor do teu beijo e a intenção dos teus olhos. Dizem que os olhos são o “espelho da alma” e nos teus eu não encontrei desafio nem sedução. Encontrei curiosidade, procura...
Dizes que não queres iludir nem iludir-te e eu tenho algumas coisas a dizer sobre isso. Sentimento não é ilusão: é realidade. Ilusão é pensar que prazer não traz sentimento ou que sentimento não causa prazer. Quando me dizes: “sentes as borboletas no estômago”... Isso é paixão, é desejo e dá muito prazer.
Ainda sobre a ilusão... Ilusão é pensar que não há paixão. Ilusão é não perceber que essa paixão é eterna enquanto dura (pode durar minutos, horas, anos...). Quando acaba, o prazer transforma-se em dor para a parte que mais amou. Contudo, quem amou mais também foi mais feliz e usufruiu de mais prazer.
Agora resta saber quem tem mais medo da vida: és tu ou eu?
PB
agosto 2019
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