quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A feira da Paiva Couceiro

Hoje, ao olhar o céu nublado, ao sentir o frio de novembro, recuei umas boas quatro décadas.
Vive-se o tempo das feiras de Natal, das montras e ruas iluminadas, do consumismo desenfreado. Como bem refere  Maria João Pica (sempre, em cada Natal) poucos estão focados no nascimento de Cristo, na família, na solidariedade, no amor... Todos correm, cada vez mais cedo, para as compras, os enfeites, os brilhos e os artifícios. Muito Pai Natal, menos Menino Jesus...
Mas hoje, como dizia, lembrei uma feira de natal na Praça Paiva Couceiro. Era o caos, o bricabraque, a desarrumação. Lá estavam as bonecas lindas... tão lindas... vendidas pelos feirantes humildes. As bonecas que faziam brilhar os meus olhos e que a carteira (ainda mais humilde e muitas vezes vazia) da minha mãe não me podia comprar. .. Mas eu passava, dia após dia, num casaco quentinho, num gorro quentinho, numa luva quentinha (que isso nunca me faltou) para namorar as bonecas de olhos castanhos e cabelos pretos, brilhantes, que não podia ter...
Recordações dos tempos em que o Menino Jesus, por vezes, nos fazia uma grande surpresa na manhã do dia de Natal e nós ficávamos tão gratos por ele se ter lembrado de nós.
Paula Baptista
nov 2019

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