Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
Luís de Camões
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Sabes o que desejo para o novo ano?
Nem imaginas... de tão simples e de tão improvável...
O que eu preciso é tão óbvio e tão inusitado...
Aquilo que alguns têm e muitos pensam ter.
Aquilo por que tenho sofrido e lutado.
Preciso para continuar a viver
do beijo, da mão e do calor
do abraço e da canção
que se alojam no coração...
O que eu quero... por favor...
é simplesmente: o amor.
PB
| Desenho de uma paixão, Ricardo Paula |
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Fernando Pessoa ...
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-as.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-as.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
sábado, 29 de setembro de 2012
28 de Setembro / «É noite mãe» (António Salvado)
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Um texto de Tati Bernardi
Procura-se a esperança desesperadamente
Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas estudei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo fica com todo mundo por caça e infelicidade. São animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo. Não que esses encantamentos não sejam para agradar meu umbigo. Ok, fiz as pazes com Freud, que deve achar o egoísta um pouco menos doente que o depressivo.
Ou não, não fiz as pazes com Freud, que acha tudo farinha do mesmo saco e nem está prestando atenção em mim. Ele é só mais um a não enxergar o alto da montanha, mesmo porque ele está embaixo da terra. Incluo Freud no meu "foda-se o mundo". Que papo é esse?
A esperança desesperada por amor e reconhecimento profissional deixou escapar a cansada esperança que se assustou de desespero.
Perdi meu deslumbramento, a válvula propulsora da vida que tive até aqui.
Cansei de me encantar pelo difícil. Que tal um homem e um salário de verdade pra viver uma vida de verdade? Chega da miséria do sonho.
Chega de idealizar uma vida com um fone no ouvido. Eu quero tocar, eu quero cair das nuvenzinhas acima da minha cabeça.
Junto com meu deslumbramento, perdi boa parte de quem eu era. Boa parte tão grande que não tenho para onde ir. Sou uma sem-vida.
Junto com o meu deslumbramento, perdi o rumo: quem não sonha não sabe aonde quer chegar.
O sonho guia, leva longe. Mas de frustrado ele te faz retroceder alguns anos, te transforma em criança assustada. Sei disso quando durmo em posição fetal querendo ser devolvida ao quente da minha proteção primária. Freud volta a ser meu amigo.
Minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. Eu disse a minha esperança? Então eu ainda tenho alguma? Nem tudo está perdido.
Estou deslumbrada com a vida, que te devolve à infância quando o mundo adulto atropela e fere. Lá na infância você se enche de sonhos e volta preparada para o mundo adulto, que se ocupa a frustrá-los todos novamente.
Eu disse que estou deslumbrada? Não, eu não disse, eu escrevi. Que papo é esse?
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa.
Tati Bernardi
Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas estudei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo fica com todo mundo por caça e infelicidade. São animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo. Não que esses encantamentos não sejam para agradar meu umbigo. Ok, fiz as pazes com Freud, que deve achar o egoísta um pouco menos doente que o depressivo.
Ou não, não fiz as pazes com Freud, que acha tudo farinha do mesmo saco e nem está prestando atenção em mim. Ele é só mais um a não enxergar o alto da montanha, mesmo porque ele está embaixo da terra. Incluo Freud no meu "foda-se o mundo". Que papo é esse?
A esperança desesperada por amor e reconhecimento profissional deixou escapar a cansada esperança que se assustou de desespero.
Perdi meu deslumbramento, a válvula propulsora da vida que tive até aqui.
Cansei de me encantar pelo difícil. Que tal um homem e um salário de verdade pra viver uma vida de verdade? Chega da miséria do sonho.
Chega de idealizar uma vida com um fone no ouvido. Eu quero tocar, eu quero cair das nuvenzinhas acima da minha cabeça.
Junto com meu deslumbramento, perdi boa parte de quem eu era. Boa parte tão grande que não tenho para onde ir. Sou uma sem-vida.
Junto com o meu deslumbramento, perdi o rumo: quem não sonha não sabe aonde quer chegar.
O sonho guia, leva longe. Mas de frustrado ele te faz retroceder alguns anos, te transforma em criança assustada. Sei disso quando durmo em posição fetal querendo ser devolvida ao quente da minha proteção primária. Freud volta a ser meu amigo.
Minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. Eu disse a minha esperança? Então eu ainda tenho alguma? Nem tudo está perdido.
Estou deslumbrada com a vida, que te devolve à infância quando o mundo adulto atropela e fere. Lá na infância você se enche de sonhos e volta preparada para o mundo adulto, que se ocupa a frustrá-los todos novamente.
Eu disse que estou deslumbrada? Não, eu não disse, eu escrevi. Que papo é esse?
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa.
Tati Bernardi
domingo, 10 de junho de 2012
Assim é... Assim pensava Sormerset Maugham
“– Os moralistas tentam convencer-nos de que o instinto sexual não tem muita relação com o amor. Referem-se a isso como se fosse um epifenómeno. (…) Pois bem, há psicólogos que acham que o estado consciente acompanha o trabalho do cérebro e é por ele determinado, sem no entanto exercer nenhuma influência sobre ele. Mais ou menos como o reflexo de uma árvore na água; não poderia existir sem a árvore, mas em nada afecta essa árvore. Acho uma enorme tolice dizer-se que pode existir amor sem paixão; as pessoas que afirmam que o amor pode perdurar depois de esgotada a paixão, referem-se a outro sentimento, afeição, bondade, comunhão de gostos e interesses, hábito. Principalmente, hábito. Duas pessoas podem continuar a ter relações sexuais por hábito, assim como têm fome à hora a que costumam ter as refeições. Claro que pode haver desejo sem amor. Desejo não é paixão. O desejo é a consequência natural do instinto sexual e não tem maior importância do que qualquer outra função animal. É por isso que as mulheres são umas tolas ao fazerem um escarcéu quando os maridos de vez em quando saltam o muro, quando a ocasião e o lugar são propícios.
– Isso aplica-se somente aos homens? Sorri.
– Se insistir, serei obrigado a confessar que o que serve para um serve para o outro. O único argumento contra é que, para o homem, uma ligação passageira não tem nenhum significado sentimental, ao passo que, para a mulher, tem. – Depende da mulher. Não podia consentir a interrupção. – A não ser que o amor seja paixão, não é amor, é outro sentimento; e a paixão não aumenta com a satisfação e sim com a dificuldade. (…) A paixão não mede as consequências. Pascal disse que o coração tem razões que a razão desconhece. Se é que o interpretei bem, queria dizer que, quando a paixão se apodera de um coração, este inventa, para provar que pelo amor todo o sacrifício é pouco, razões não somente plausíveis, mas elucidativas. Ficamos convencidos de que vale a pena aceitar a desonra, e que a vergonha não é preço exagerado para se pagar por ele. A paixão é destruidora. Destruiu António e Cleópatra, Tristão e Isolda, Parnell e Kitty O’Shea. E, quando não destrói, morre. É possível que então a pessoa se veja na amarga contingência de reconhecer que desperdiçou anos de vida, que se desgraçou inutilmente, que sofreu a tortura do ciúme, engoliu toda a espécie de humilhações, deu a sua ternura, as riquezas da sua alma a um ser insignificante, idiota, um cabide onde dependurou os seus sonhos, e que não valia absolutamente nada.”
W. Somerset Maugham in “O Fio da Navalha”
sábado, 2 de junho de 2012
A mensagem para quem não a lê
Esta é a mensagem com destino, mas sem caminho
A mensagem sem esperança de resposta
Como o som para quem não ouve
Como as letras e as cores para quem não vê
Esta mensagem não produzirá sequer
Uma contração na face do destinatário...
Não acorda, nem adormece...
Vai e volta sem dar sentido ao que transporta.
P.B.
sábado, 26 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
TU
Estou tão triste… tão…
Não quero nada de ti a não ser…tu.
Não quero casas, nem terras
Nem castelos de ar ou de chão.
Não quero contas, nem roupas
Nem pão, nem doces, nem água.
Não quero céu, nem mar,
Nem vento, nem asas,
nem…
NADA… a não ser... TU...
Palavras e gestos:TU
PB
domingo, 13 de maio de 2012
Hoje em dia todos nos queixamos da falta de “disponibilidade
financeira”. Quando olhamos para o fundo da carteira, os olhos entristecem e o estrato bancário parece sempre menos tranquilizante para o futuro. O futuro que
nem sequer sabemos se vamos ter. Deixámos de viver o presente para nos
projetarmos num futuro que não podemos controlar nem viver antecipadamente.
Os
nossos amigos, familiares, colegas de hoje chegam a ficar enevoados com os de
ontem e uns hipotéticos de amanhã. Só se dão passos seguros, amparados da “grande
experiência do passado” e na “bola de cristal” que nos mostra o futuro. Tudo: não
se faz, porque já se fez; não se é, porque já se foi; não se sente, porque já
se sentiu. Pior… Pior de tudo: não se faz, porque se espera fazer; não se é, porque
talvez se venha a ser; não se sente, porque se espera vir a sentir. E o tempo
vai passando… Disso ninguém se lembra, ninguém se apercebe…
Os nossos amigos
estão mesmo ali, do outro lado do computador, do telemóvel… Os nossos filhos
estão mesmo ali, sentados no sofá… Os nossos companheiros estão mesmo
ali, na sala ao lado, na cadeira ao lado… Mas não queremos sair para fora das
jaulas que nos construímos. Um gesto pode ser mal interpretado. O carinho e o
amor podem ser chatos e pior… ridículos. Transformámos as nossas vidas num
baile de máscaras, os nossos sentimentos numa enxurrada de hipocrisias. Todos
merecem sentir a mão, o beijo, a palavra dos que cruzam a mesma estrada, o mesmo
tempo, o mesmo presente. Se não podemos pagar um jantar, um ramo de flores,
talvez seja o momento de oferecer algo que não custe dinheiro e que seja menos
efémero. Talvez tenha chegado o momento de fazer, de ser, de sentir. De errar e
de corrigir, de avançar para alcançar, de cair para reerguer, de correr o risco
de amar.
P.B.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Dia da Mãe
Amanhã é dia da mãe e…
Não sei onde pousar o beijo que tenho nos meus lábios. Não
sei onde entregar as flores que trago no coração. Não sei onde descarregar este
amor que só a ti pertence. Não sei em que lágrimas lavar a saudade que sinto de
ti.
Partiste, Mãe. Deixaste o vazio que não pode ser preenchido. Deixaste a falta do som da tua voz, do teu cheiro, do teu calor, do teu conselho, de ti...
Lembro-me da primeira prenda que te dei neste dia… Apenas um
copo alto e azul, debruado a dourado. Instalaste-o na tua cristaleira junto das
peças que mais estimavas. Para mim ele simbolizou sempre o meu amor por ti.
Já há alguns anos que este dia era uma sombra ameaçadora… Desde
que o Alzheimer te roubou pouco a pouco de mim, que sabia que iria perder-te ou
que já te tinha perdido…
Mas este ano, Mãe… Este ano é diferente e mais negro … Este
ano só ficaram as memórias…
P.B.
sábado, 28 de abril de 2012
A gota
Fazendo a análise razoável dos factos, tu não tens culpa...
A "culpa
morre solteira" neste caso que não o chegou a ser.
Pretensão a minha
a de julgar que não sou invisível e inócua.
Tentei ser presença na minha transparência.
Tentei ser uma luzinha na minha escuridão.
Tentei ser uma gota no teu oceano e estar perto.
Achei que as tuas cores combinavam com as minhas.
“Achei”, mas a teu lado não achei nada afinal…
Afinal tu nem me viste ou não me quiseste ver.
A culpa não é tua.
Se ao menos me tivesses estendido a mão...
Se ao menos...
Só quero chorar o rio da deceção e desistir.
Só quero sacudir-me dos meus sonhos e partir.
PB
sábado, 21 de abril de 2012
"Amor" entre aspas (momento de raiva)
Sentado no canto da sala, meu “amor” não pares...
Não conheço ninguém que ande tanto sem sair do sítio.
Como uma espécie de caixote vazio sobre as águas de um rio lento,
Vais-te afastando de mim para longe, muito longe...
Como cachorrinho indefeso umas vezes,
Outras como D. Juan mal acabado e sem tino... lá vais...
Lambendo as próprias feridas, namoriscando aqui e ali
À espera do mimo e devoção dos incautos,
Vais-te afastando do cruzamento em que nos cruzámos.
Julgas-te mais do que és ou até eu te julguei demais por ti.
Na verdade não cabes no meu perfil sonhador mas sério.
Parada, vejo-te desfazer o meu sonho insensato.
Não se deve juntar sonho com esperança!
Adeus “amor” porque “amor” certamente,
Secreta to chamei aqui pela primeira e última vez.
PB
quarta-feira, 11 de abril de 2012
As palavras...
Primeiro vieram as
palavras escritas…
Carregadas com o
sentido que lhes queremos dar.
Agora vieram as
palavras ditas…
As palavras
ouvidas.
Estas soaram frouxas.
Ecoaram distantes.
Carregadas de sentido, as palavras…
Não nos levaram, nem nos mudaram.
Calámo-nos. As palavras acabaram.
Ficou o vazio que me seca a alma.
Tentei rodar a chave com as palavras.
A porta não se abriu e o calor…
O calor nem sequer chegou.
P.B.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O segredo
Das primeiras vezes que te vi, não reparei em mais nada para além da uma voz baixa, do ritmo pausado, como quem fala com alguma complacência para um auditório que se supõe ou violento, ou tosco. Credo! Senti-me na fileira dos "toscos", dado que nunca abri a minha boca senão para responder às perguntas que me eram dirigidas. Dias mais tarde juntei ao teu retrato um certo atrevimento e abertura ao bom humor. Despertaste o meu interesse. Comparei o teu percurso, divulgado por ti entre duas colheres da mesma mesa, e percebi. Percebi que me identificava contigo, com a tua paz. Observei-te de longe e pareceste-me perdido e sem rumo sob a aparência do homem que se quer mostrar experiente e bom vivant. Foi então que, sem te aperceberes disso, me fizeste esbarrar no muro da tua arrogância, escondida sob o teu semblante de veludo. Parei. Ainda tropecei momentaneamente num degrau no meio do meu caminho: o meu coração... Agora, como o teu caminho é diferente, já só te vejo de longe. Carrego agora o segredo de que já estiveste aqui tão perto, mesmo ao lado do meu coração. Um segredo um pouco triste e envergonhado que espero descarregar na primeira gare silenciosa em que pare este meu coração.
P. B.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Olho-me no espelho. Vejo uma mulher na década dos quarenta, deformada pelo peso que carrega no seu corpo. No seu corpo e não na sua mente. Digo todos os dias para mim mesma que, apesar disto, vou recuperar o Amor. Sonho todos os dias e escondo a realidade por trás de cada ilusão. Nunca vou chegar lá. Os gordos são apenas gordos. Ponto final. Ninguém quer saber se são inteligentes, espirituosos, astutos ou brilhantes. Ninguém discute com eles literatura ou poesia. Talvez um pouco de política, história ou economia. Não sejam cínicos. Vocês sabem que não pedem o número de telemóvel a um gordo, não lhe mandam uma música romântica. Além disso, o gordo é assim porque quer. Não se drogue diariamente com elevadas doses de comida. É um coitado, o gordo. Não estou disposta a andar para aí a lutar contra este estado das coisas. Está tão entranhado nas mentes quanto o capitalismo. Para quê dizer que estou aqui? Eu falo! Não me ouvem? Só me vêem?
PB
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