domingo, 8 de janeiro de 2012


Olho-me no espelho. Vejo uma mulher na década dos quarenta, deformada pelo peso que carrega no seu corpo. No seu corpo e não na sua mente. Digo todos os dias para mim mesma que, apesar disto, vou recuperar o Amor. Sonho todos os dias e escondo a realidade por trás de cada ilusão. Nunca vou chegar lá. Os gordos são apenas gordos. Ponto final. Ninguém quer saber se são inteligentes, espirituosos, astutos ou brilhantes. Ninguém discute com eles literatura ou poesia. Talvez um pouco de política, história ou economia. Não sejam cínicos. Vocês sabem que não pedem o número de telemóvel a um gordo, não lhe mandam uma música romântica. Além disso, o gordo é assim porque quer. Não se drogue diariamente com elevadas doses de comida. É um coitado, o gordo. Não estou disposta a andar para aí a lutar contra este estado das coisas. Está tão entranhado nas mentes quanto o capitalismo. Para quê dizer que estou aqui? Eu falo! Não me ouvem? Só me vêem?
PB

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