sábado, 28 de abril de 2012

A gota



Fazendo a análise razoável dos factos, tu não tens culpa...
A "culpa morre solteira" neste caso que não o chegou a ser.
Pretensão a minha a de julgar que não sou invisível e inócua.
Tentei ser presença na minha transparência.
Tentei ser uma luzinha na minha escuridão.
Tentei ser uma gota no teu oceano e estar perto.
Achei que as tuas cores combinavam com as minhas.
“Achei”, mas a teu lado não achei nada afinal…
Afinal tu nem me viste ou não me quiseste ver.
A culpa não é tua.
Se ao menos me tivesses estendido a mão...
Se ao menos...
Só quero chorar o rio da deceção e desistir.
Só quero sacudir-me dos meus sonhos e partir.

PB

sábado, 21 de abril de 2012

"Amor" entre aspas (momento de raiva)



Sentado no canto da sala, meu “amor” não pares...

Não conheço ninguém que ande tanto sem sair do sítio.

Como uma espécie de caixote vazio sobre as águas de um rio lento,

Vais-te afastando de mim para longe, muito longe...

Como cachorrinho indefeso umas vezes,

Outras como D. Juan mal acabado e sem tino... lá vais...

Lambendo as próprias feridas, namoriscando aqui e ali

À espera do mimo e devoção dos incautos,

Vais-te afastando do cruzamento em que nos cruzámos.

Julgas-te mais do que és ou até eu te julguei demais por ti.

Na verdade não cabes no meu perfil ­­­sonhador mas sério.

Parada, vejo-te desfazer o meu sonho insensato.

Não se deve juntar sonho com esperança!

Adeus “amor” porque “amor” certamente,

Secreta to chamei aqui pela primeira e última vez.

PB

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As palavras...




Primeiro vieram as palavras escritas…
Carregadas com o sentido que lhes queremos dar.
Agora vieram as palavras ditas…
As palavras ouvidas.
Estas soaram frouxas.
Ecoaram distantes.
Carregadas de sentido, as palavras…
Não nos levaram, nem nos mudaram.
Calámo-nos. As palavras acabaram.
Ficou o vazio que me seca a alma.
Tentei rodar a chave com as palavras.
A porta não se abriu e o calor…
O calor nem sequer chegou.

P.B.