quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O arame

O dia amanheceu escuro
Como se de noite se tratasse
Como se a noite não quisesse acabar
Como se quisesse voltar atrás

Não há palavras recriminatórias
Que me recuem as horas e os sentimentos
Apenas tenho a certeza

Apenas tenho a visão do arame
Que percorri e que agora...
Nesta manhã...
Está lá no alto
Perigosamente...
A vários metros de mim
Do chão firme e duro.

Quando não estamos na vida de alguém
Vai notar-se num grande ou num pequeno momento
Numa crise ou num mar de rosas
Simplesmente, verdadeiramente, não estamos!

Mas tens razão, meu amor...
A dor tolda as águas.
Por vezes turva-as
Por vezes fá-las correr tao rápido...
Que tudo fica limpo e se vê o fundo.

Lisboa, 25 setembro 2019


Sem comentários:

Enviar um comentário