sábado, 19 de março de 2011
Pai
Pai
Hoje chorarei por ti uma lágrima...
Mas só uma!
As lágrimas são preciosas e curativas.
Não se gasta o que é precioso (aprendi contigo).
Não se gastam "remédios" com o irremediável.
Desculpa, mas há coisas de que não me recordo...
Não me recordo da tua mão para me levantar.
Não me recordo do teu conselho amigo.
Não me recordo de seres feliz por mim.
Não me recordo de me apontares a porta certa.
Não me recordo do teu incentivo.
Não me recordo de segurares o meu braço de noiva…
Porque nunca o fizeste.
Mas, sim…
Recordo-me de estares na minha frente.
Recordo-me da tua indiferença.
Recordo-me do teu dedo apontado,
Mas o som da tua voz embrulha-se no praguejar dos trovões…
E deixei de te ouvir.
Lembro-me de ti à mesa da sala.
Sempre com um maço de notas entre os dedos.
Lembro-me do teu rosto doente…
Sorvendo a sopa que te chegava à boca sem me veres.
Lembro-me de ti na missa.
Vergado num genuflexório hipócrita.
Rodeado de hipocrisia e vazio, é como eu te lembro.
O que é que eu quero de ti?
Nada daquilo que valorizas.
O que eu queria de ti…
Desculpa mas não mo podes dar…
Porque simplesmente não tens.
Paula Baptista
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Gostei muito do teu poema :) A poesia e a escrita são uma das mais belas e transcendentes formas de catarse. "O poeta é um fingidor (...) finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/ a dor que deverás sente"
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