Eu te amaldiçoo, jardim nefando.
Odeio-te com todas as forças com que te amo.
Amaldiçoadas as cores da tua relva, da tua terra,
Das tuas copas, das tuas flores.
Jardim proibido, jardim suspenso.
Jardim brilhante e sorridente.
Jardim de fogo, jardim de frio.
Jardim de plástico armado em oásis?
Jardim cego de tanta soberba?
Eu te amaldiçoo e aos teus cheiros e chilreios.
Eu odeio a cor do momento que me fez querer entrar no teu portão.
Pensavas que me queria instalar em ti?
Pensavas que viveria presa nos teus muros?
Não!
Maldito sejas por me prenderes os olhos.
Por me fazeres desejar passear em ti.
Odeio-te e odeio-me...
Por ter deixado o meu coração triste voltar a sonhar.
Por ter deixado os meus passos rondarem os teus muros.
Maldito Jardim suspenso de uma irrealidade inútil.
Teria sido tudo tão simples se não fosses maldito.
Se eu tivesse entrado, sentado….
Absorvido a tua beleza e simplesmente…
Partido ao anoitecer.
Achaste que eu não era digna de cruzar os teus trilhos?
Porquê?
Ninguém quis colher as tuas flores ou beber das tuas fontes!
Mesmo assim… envenenaste-me o ar.
Estou a ser injusta?
Não! Estou farta! Farta de ser odiosamente mulher e estúpida.
Quero que continues verde, azul, vermelho, amarelo…
Que continues a pintar-te de todas as cores do arco-íris.
Mas que o Deus que eu amo…
O Deus de todas cores, traços e cheiros…
Aniquile, de vez, a acção deste íman que me cola aos teus muros
E que me fere a alma desferindo-me contra a tuas grades.
Adeus.
P.B.
P.B.



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