Finalmente choveu!
Dos meus olhos cansados
Correram rios de águas límpidas.
O dique da minha alma triste finalmente cedeu.
O pesadelo tortuoso da tua imagem sufocava a minha garganta.
E um monte de cascalho engrossava diariamente,
Esta bolha enorme da minha existência.
Deus sabe o quanto me arrependo de me ter sentado
Junto ao teu enorme e soberbo pântano.
Escondido por águas superficiais semi-transparentes…
Cobertas de nenúfares enganadores.
Dou graças por não ter pisado o teu lodo movediço.
Por me ter mantido na margem,
Nesta atitude contemplativa de quem
Não se acha no direito de mergulhar…
Que horror seria!
Felizmente, as pedrinhas que fui atirando,
Avisaram os meus sentidos.
As pedrinhas lançadas nunca saltitaram graciosamente.
Eram rapidamente engolidas pelo teu lodo indiferente…
Sem esperança, sem retorno.
Hoje, finalmente, o açude cedeu.
E as minhas lágrimas correram livremente...
Desta feita, elas correram para o mar.
PB

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